Iniciei com a música aos 13 anos, mas já era apaixonado pela bateria desde os 5. Meus pais viraram evangélicos quando eu tinha essa idade. O que mais me chamou a atenção inicialmente nos cultos não foi a mensagem pregada pelo pastor, nem o grupo das crianças, mas o baterista, fazendo um som.

Me encantei com o instrumento e logo imaginei que poderia estar atrás daqueles tambores e pratos. Porém, com aquela idade não foi possível para mim aprender bateria. Como eu era de uma família pobre, pagar um curso de musicalização não era acessível. Além do mais, naquela época aulas de música não eram comuns na minha cidade.

O tempo passou, e no início da adolescência, comecei a visitar uma igreja que um amigo de infância frequentava. Nessa época, ele estava aprendendo a tocar violão e nossos papos eram sempre relacionados à música. Gostávamos de ouvir rock and roll e ficar sentados no meio fio comparando a habilidade dos músicos famosos.

Um dia ele me convidou para ir ao culto. Eu não estava a fim de pensar em igreja, mas como ele era bacana, resolvi aceitar o convite. Logo imaginei que lá eu pudesse ver e ouvir alguém tocando bateria, mas surpreendi-me ao perceber que a congregação não tinha o bendito instrumento ainda.

Fiquei frustrado, mas a galera do grupo jovem me deixou bem à vontade. Importante destacar que nesse dia vi pela primeira vez a mulher da minha vida, minha atual esposa, mas isso é assunto para outra oportunidade.

Acabei entrando para aquela igreja e fui me enturmando com o pessoal da minha idade. O louvor da igrejinha era formado apenas por uma guitarra velha plugada numa caixa de som usada acompanhada por alguns tocadores de pandeiro amadores. Não havia bateria.

Então veio a oportunidade…

Alguns meses depois, rolou o boato de que o pastor compraria alguns instrumentos novos para o pequeno templo. Entraram na lista: triângulo, bongô, caxixi, afoxé, mais um pandeiro (raiva) e nada de bateria.

O músico responsável pelo louvor recrutou voluntários para aprender os instrumentos. Não sei se ele sabia o que estava fazendo, mas a formação, que mais parecia de um grupo de pagode, serviria para “encorpar” a música da congregação.

Os voluntários surgiram, inclusive eu. Já que não tinha bateria, levantei a mão e disse querer tocar o bendito bongô (importante salientar que eu não fazia a mínima ideia de que se tratava).

Enfim, uma semana depois, os brinquedos chegaram e lá fomos nós para o ensaio…

Que barulheira!

Sempre que relembro esse evento, dou risadas. Foi muito parecido com a cena do seriado Chaves, em que as crianças

Mas a experiência serviu como iniciação no ramo da música.  Comecei a tirar um som dos tamborzinhos para amenizar a vontade de fazer um “tu tu pá” na bateria!

Cerca de uns oito meses depois, um senhorzinho membro da igreja resolveu ofertar a casa comprando a tão sonhada bateria. Quase pulei de alegria quando soube. Dias depois, era descarregada na igreja uma enorme caixa com uma Basix Drum azul. Uma lindeza de instrumento. Ajudei a montar a bicha, mas não pude tocá-la.

Resisti por umas semanas, mas num determinado culto, quando o baterista da igreja faltou, tive um surto de coragem e resolvi “sentar e tocar”. A experiência até que foi boa para mim, mas havia um detalhe… Eu nunca tinha tocado na vida. Nem sequer feito uma aula. Você imagina como foi, não é? Isso mesmo…

Um desastre!

aprender bateria

Foi uma barulhada só, pior do que a Turma do Chaves. Mas como ninguém me tirou de lá, acreditei que estava legal. Tomei mais gosto pela coisa, e em todos os cultos, quando baterista da igreja não estava, eu sentava atrás do kit e tentava tirar um som.

O resultado isso foi o incômodo coletivo dos irmãozinhos. O rol de membros começou a fomentar um jeito de me tirar da jogada. No fundo, eu sei que eles estavam com a razão. A igreja precisava de outro baterista, porém eu, definitivamente não era a pessoa certa. Eu precisava definitivamente aprender bateria.

Ouvi muito frases como: “Sai daí, moleque, você não leva jeito para isso”. Ou “cara, arranja outra coisa para fazer, isso não para você”. As críticas me doíam a alma. Mas eu tentava transformar a dor em motivação, e não saía de trás do kit.

Aquelas pessoas não sabiam, mas suas intenções de matar meu sonho eram na verdade, agentes motivadores para que eu viesse alcançá-lo.

Rumo às primeiras aulas

aprender bateria

Coloquei na cabeça que deveria aprender a tocar de qualquer jeito. Pedi autorização ao pastor para que, em todos os cultos, três vezes por semana, eu chegasse na igreja uma hora antes das reuniões para treinar. Detalhe, nessa época os cultos eram realizados na varanda da casa do pastor, e a bateria ficava guardada na secretaria.

Tínhamos que montar e desmontar o kit todos os cultos. Então, nessa empreitada, a fim de aprender, eu abria o cômodo e carregava todo o kit sozinho, peça por peça, direcionava os tambores e começava meu treino. A verdade é que eu não tinha a mínima noção do que estava executando, mas a intimidade com o instrumento aumentou.

Nessa época, a única renda que minha família tinha vinha do salário do meu pai, que trabalhava como lancheiro. Portanto, não havia como ele pagar para eu aprender bateria. Eu tinha que dar um jeito! Por sorte, ou por plano divino, o pai daquele amigo que havia me levado para igreja me ofereceu um trabalho. O coroa tinha uma marcenaria e me solicitou uma mãozinha como ajudante.

Lembro que comecei ganhando R$ 10 por dia. Estudava em escola pública de manhã (estava na 5ª série) e à tarde ia para oficina de móveis lixar madeira. Logo comecei a fazer aulas de bateria com um professor particular por R$ 25.

Então, eu pagava a mensalidade e ainda sobrava um troco para comprar roupas e levar a namorada para comer batata frita na praça nos fins de semana. A técnica foi melhorada e os crentes começaram a me olhar com mais carinho.

O sucesso não é um acidente. É trabalho duro, perseverança, aprendizagem, estudo e sacrifício. Acima de tudo, é ter amor pelo que se faz ou pelo que se aprende. – Pelé

O sonho se tornou maior… E a luta também!

Seis meses foi o tempo desde que sentei pela primeira vez num banco de bateria até a data da primeira aula (espero que ninguém tenha saído da igreja por minha causa nesse tempo). Já fazendo aula, minha desenvoltura como baterista foi aumentando.

Comecei a alimentar o sonho de me tornar músico profissional, ouvindo grandes grupos cristãos e as bandas de rock que eu já era fã desde a infância. Na igreja, passei a ser o substituto do primeiro baterista. Para quem iniciou do zero, estava ótimo!

Porém, um ano após o meu início, aconteceu um fato que mudaria o curso da coisa…

A igreja já havia inaugurado seu templo, e estava sendo preparada uma festa de aniversário do grupo de senhoras. Seria o primeiro evento que eu tocaria, por isso fiquei ansioso. Ensaiei algumas músicas com vários grupos para o dia, já que o baterista oficial raramente estava presente.

Legal demais, se não fosse a surpresa ao chegar à igreja.

Carregando meu par de baquetas novas, adentrei o templo e caminhei até onde ficava a bateria. Quem estava lá, sentado? O baterista oficial. Até aí tudo bem, ele era o principal e tinha o direito. Mas o bendito com uma cara bem amarrada olhou para mim e disse:

“Quem vai tocar hoje sou eu”.

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“Ok, fico com as que eu ensaiei”, respondi. Mas ele deixou claro: “Não, você não está entendendo. Você não vai tocar nenhuma música hoje”. “Como assim?” Indaguei. O camarada com maior arrogância prosseguiu em seu diálogo defendendo argumentos para me barrar. Importante dizer, que ele era uns 20 anos mais velho que eu, e ainda era meu líder no grupo dos jovens.

Boladão com a situação, eu só disse uma frase para ele: “Cara, se você fizer isso comigo, eu nunca mais piso nessa igreja”. Ainda mais carrancudo, o sujeito rebateu: “É contigo mesmo. Não tenho nada a ver com isso!” Indignado, peguei minha baqueta nova (claro, não iria deixar ele tocar com ela) e ultrapassei a porta correndo.

Caminheiro pela rua desolado. Meus olhos desaguaram. Como ele poderia ser tão injusto? Era eu que estava em todos os cultos, montando e desmontado o kit, ensaiando com a galera. Minha vontade era nunca mais voltar naquela igreja.

Quando eu estava quase virando a esquina de casa, encontrei com outro membro da igreja, o irmão Luís (Faço questão de lembrar seu nome aqui e de destacar que na época que todos diziam que eu não ia conseguir, Luís foi o único que esteve do meu lado).

Ele me vendo naquela situação, perguntou o que tinha acontecido. Descrevi o fato para ele. Ele resolveu comprar meu barulho e me disse: “Isso não vai ficar assim. Venha comigo”.

Caminhamos de volta para o templo, e ele ao invés de entrar na igreja, bateu três vezes no portão do pastor. “O bicho vai pegar”, pensei! Quando o pastor atendeu, irmão Luís disse: “Pastor, precisamos conversar”. O pastor com seu bigode grosso e a cara igual ao do Saddam Hussein, perguntou: “O que aconteceu?” Acredito que ele deva ter pensado que o irmão Luís houvesse me pegado aprontando alguma na rua.  Mas então o Luís contou o ocorrido ao pastor.

Fiquei com medo do pastor não entender, mas ele compreendeu a injustiça declarando: “Deixe-o tocar nessa festa. Não fale nada. Depois que o evento terminar, você será o novo baterista oficial da igreja. Ao mesmo tempo em que fiquei feliz, não era no fundo o que eu queria. Mas o pastor disse já estar de olho no irmão sacana da secretaria e que isso só estava servindo para ajudá-lo a tomar uma atitude.

A festa rolou e eu nem cheguei perto da bateria. O baterista marrento não sabia, mas seu posto seria tirado em breve. Na semana seguinte o pastor anunciou ao corpo de membros que eu seria agora o baterista principal da igreja, e mais, disse que no setor de louvor da igreja, eu só estaria abaixo dele e do líder da música, que era o guitarrista.

Não tinha intenção de chegar a esse nível ainda mais tirando alguém do cargo, mas já que as coisas fluíram assim, assumi o posto feliz da vida. Quando esse fato ocorreu, eu já tinha um ano de música.

Tocar é bom demais!

Depois disso, fiquei mais um ano como oficial no ministério daquela igreja. Até que, perto de completar 15 anos, tive que me mudar de cidade. Isso devido ao fato de meus pais terem resolvido começar uma vida nova.

Tive que deixar para trás o posto que tanto lutei para conseguir, meus amigos e namorada, para recomeçar num lugar que eu sequer havia pisado, centenas de quilômetros de distância da vida que eu levava.

Hoje vejo que isso foi bom. Amadureci em muitos sentidos, inclusive musicalmente. Na cidade nova, dei continuidade aos estudos como músico, ingressando numa escola cujo núcleo era parte de uma instituição bem-conceituada no ramo, a Villa Lobos.

Fui aprendendo mais, fiz aulas de teoria musical e percussão aprendi tirar som de verdade até do bongô, aquele mesmo instrumento que toquei na Banda do Chaves da igreja.

De tempos em tempos, eu retornava ao município antigo para visitar os amigos e rever minha menina. Voltava lá na congregação e tirava um som da bateria azul. Na cidade nova, comecei a me enturmar com a galera que curtia um som para trocar “figurinhas” sobre música.

Nesse período lembro-me de ouvir muitas coisas de Arthur Maia e Nosso Trio, até músicas pop de cantores como Pitty, Papas na língua e outros. O rock estava sempre presente: Rush, Led Zeppelin, etc. E bandas cristãs como Oficina G3, Resgate Fruto Sagrado não saíam dos meus toca discos.

No primeiro ano, sem ter condições ainda de comprar um instrumento, lembro-me de ter improvisado um kit com peças feitas de sobra de compensado da marcenaria onde trabalhava. Minha família estava residindo num sítio, no qual meu pai era caseiro. Lá havia espaço de sobra para um barulho.

Eu escondia a bateria de pads improvisados atrás do galinheiro e todo dia praticava nela, pelo menos uma hora. Importante destacar que nessa época eu trabalhava de dia e estudava à noite.

Pegava as 8h da manhã na marcenaria e as 18h ia para escola. Só retornava para casa por volta das 23h. O horário que eu tinha para praticar o instrumento era por volta das 6h, antes de todos acordarem. Fiquei assim por um ano, mais ou menos.

Esse período foi bem barra! Pois eu acabara de entrar para uma igreja que também não tinha bateria. Então, tinha que me contentar em tocar apenas na “praticável do galinheiro”. Nem na bateria da escola de música eu pude mais tocar, pois por conta de algumas circunstâncias financeiras, eu tive que interromper meus estudos.

Alguns meses se passaram e na nova igreja arranjaram uma bateria usada, mas inteira. Voltei com toda força, sendo o baterista oficial dessa nova igreja também. Um ano e meio depois retornei para a Villa Lobos e as coisas ficaram mais claras. Muitas gigs surgiram e toquei com bastante músicos bacanas, entre amadores, como eu, a profissionais requisitados.

Um projeto foi criado pela diretora da escola de música. A ideia era pegar os melhores alunos da época e montar uma banda. Fui unanimemente indicado como baterista (isso me enche de orgulho até hoje). Cresci muito como músico nessa fase.

Essa banda viajou para alguns lugares, tocando em eventos bacanas e recitais culturais. A formação era: Pretinho na guitarra base, David (in memorian) na guitarra solo, Junior Chocolate no contrabaixo, Dudu no sax e eu na batera. O regente era o professor Flavinho, um negão bacana que tocava teclado e conduzia a galera.

As frases que ele mais usava eram: “Aumenta a guitarra David!” e “Toca mais baixo, Paulinho” (meu apelido era “Paulinho mão pesada”). Época boa demais… Que saudades! Éramos cinco alunos curtindo a música, fazendo o que mais gostávamos.

aprender bateria

O sonho de ser baterista enfim se tornou realidade

Quem é músico sabe o quanto é difícil viver desse ofício no Brasil. Minha intenção era conseguir uma renda principal como baterista, mas por muito tempo isso não foi possível. Como eu morava longe dos grandes centros, era muito ardiloso arranjar trabalhos como músico  no interior.

Por isso, meti-me em vários trabalhos. Fui caixa de mercado, atendente de loja, carregador e estoquista, só para citar alguns. A música era um ofício paralelo. Durante o dia, tinha um emprego de dia e atuava como freelancer à noite.

Mais à frente, comecei a dar aulas para meninos que desejavam aprender bateria. Passei a oferecer aulas em várias igrejas e improvisei uma sala de estudos na varanda de casa. Deu para arranjar uma graninha e ter de volta um pouco do meu investimento. Nesse período, consegui comprar meu primeiro instrumento, uma bateria Shelter, de segunda mão.

A partir daí a coisa ficou boa. Comecei a treinar de 2 a 3 horas todos os dias. Mudei meu horário da escola para de manhã, e com a tarde livre, estudava sério.  O que me marcou nessa época é que eu tinha um vizinho que trabalhava à noite, e, portanto, dormia de dia. Eu perturbava o cara!

O interessante é que ele nunca reclamou. Só fiquei sabendo disso, dois anos depois numa gig. Ele era back vocal da banda. O cara desabafou, eu pedi desculpas, mas não pude devolver as horas de sono dele (risos).

Enfim, alguns anos se passaram, passei por diversas bandas, todas sem sucesso, mas prossegui alimentando o sonho de ser baterista profissional. Sempre tocando na igreja e alternando as gigs freelas.

Depois de certo tempo, comecei a ajudar um amigo meu num projeto desenvolvido por ele, chamado: Canalizasom, que tinha o intuito de fazer música com instrumentos reciclados, principalmente o PVC.

Esse meu amigo se chama Jhonny Almeida. Eu não poderia deixar de citá-lo aqui. É daqueles seres humanos únicos, que conquistam as pessoas com seus dons e personalidade.

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Eu tocava percussão no projeto e também dava aulas. Tempos depois formamos um Trio a fim de fazermos diversas apresentações na região. O terceiro músico é o Sandro Lessa, grande violonista. O Jhonny tocava os instrumentos criados por ele, como gaita de foles, fujara (flauta rara de origem celta), didjeridu (instrumento aborígene), pífaros de PVC e etc. O Sandro cuidava do violão e às vezes no Didjeridu. Eu, bateria e um monte de parafernálias sonoras usadas como percussão.

Abaixo um vídeo de uma apresentação nossa de 2013:

Tocamos em diversos eventos legais, como o “40 Anos de Galiotto”, no qual se apresentou músicos de diversas partes do mundo. Nesse show, dividimos o palco com o grande pianista Gilson Peranzzetta e flautista Mauro Senise. Posteriormente, viemos tocar no Festival Instrumental do Sana.

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Trio Canalizasom com Gilson Peranzetta e Mauro Senize.

Através do Jhonny, também fui convidado a ingressar na Orquestra Kuarup, que pertence à prefeitura de Rio das Ostras. Lá eu cresci muito como músico. A orquestra que foca em repertório de clássicos nacionais me deu experiência em ritmos brasileiros, como bossa nova, baião e maracatu. O grupo é regido pelo grande Nando Carneiro, violinista e pianista que pertenceu a famosa banda “A Barca do Sol”, expoente dos anos 1970.

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Acompanhando a Orquestra Kuarup em 2012.

Cabe a mim ressaltar aqui como conseguir conquistar uma das minhas maiores realizações como músico. Quando fui morar na Região dos Lagos, conheci o famoso Festival de Jazz e Blues de Rio Das Ostras, evento que está entre os 10 maiores eventos musicais do mundo, e foi eleito pela Downbeat, considerada a bíblia do jazz, como o maior festival do estilo da América Latina.

A primeira edição aconteceu em 2004. O primeiro que fui como ouvinte foi em 2006. Estava junto com um outro amigo meu de longa data, o guitarrista Thiago Cunha. A partir desse ano, íamos todos os anos assistir aos grandes mestres do jazz e do blues se apresentarem.

Uma das apresentações que mais nos marcaram foi a do guitarrista e cantor de blues, Robben Ford, em 2008. Nesse ano, eu olhei para o Thiago e disse: “Mano, um dia eu vou tocar nesse palco”. Ele me disse: “Deus te ouça, cara!”

Parecia que minha afirmação era vazia, e apenas uma intenção de “fazer firula”. Mas não, eu realmente acreditava que iria tocar ali para centenas e milhares de pessoas.Dois anos depois eu estava lá, abrindo o evento com a Orquestra Kuarup.

O fato se repetiu por mais um ano. Ou seja, por dois anos consecutivos eu subi no mesmo palco que muitos artistas da cena nacional e internacional, inclusive, bateristas como Billy Cobham, Will Calhoun e Omar Hakim. No terceiro ano acompanhando a orquestra, tive que sair por motivos pessoais. Mas saí bem com todos e com um sentimento de realização dentro de mim.

Agora é hora de escrever a sua jornada

Esse foi o um resumo, bem resumido mesmo, dos meus primeiros dez anos como baterista. Minha intenção aqui é mostrar para você, leitor, que quando a gente quer e batalha, a gente conquista. Antes de terminar esse capítulo, vou dizer qual a minha maior realização como músico: poder ensinar outros bateristas.

Tenho ex-alunos como o Filipe Pereira, Carmélia Santarone e Fernando Fabiani, os quais eu dedico este post.

Esses são três jovens do meu círculo de convivência e foram meus alunos por certo tempo. Eu tenho o privilégio de vê-los evoluir na bateria. Músicos que crescem todos os dias como profissionais e dominam o instrumento como poucos. Isso é o que considero de mais marcante em minha carreira.

E se um dia eu não conseguir realizar tudo o que sonho como músico, ficarei feliz em lembrar que ensinei os primeiros toques a eles, e assim, tive a chance de ver o meu legado como baterista tendo continuidade.

Hoje minha área de atuação é outra. Sou um profissional de marketing conhecido e sou autor de livros de negócios. A música não é mais o meu ganha pão, mas continua sendo a grande paixão artística da minha vida.

O Rock Drum é um projeto que nasceu no meu coração para ajudar outros meninos e meninas que alimentam o sonho de aprender bateria. Se você é um deles e leu até aqui, seja bem-vindo à nossa comunidade. Desejo de coração que você evolua como músico e contribua fortemente com o universo sonoro.

Para fechar, um solo de bateria gravado num workshop que realizei em 2013: