Se você analisar o Rock in Rio pelo prisma de mercado, consegue entender porque tem várias atrações não relacionadas ao rock.

Na verdade, o evento sempre foi aberto a outros estilos desde sua primeira edição. O festival pode ter “rock” no nome, mas é, acima de tudo, uma feira, um parque no qual a música é apenas uma das atrações.

Entenda, o Rock in Rio foi criado primordialmente para ser uma plataforma de marketing, e não um festival de rock. E o lucro — ah, o lucro! — sempre foi o objetivo (nada contra o lucro, tá?).

Fora isso, vamos lembrar uma coisa: o rock hoje é um estilo de terceira, quarta, quinta categoria no Brasil. Se estivéssemos ainda na época dos discos, os álbuns de rock estariam naquelas prateleiras mais escondidas que você precisa perguntar onde estão ao atendente.

Fazer um evento apenas de rock desse porte seria decretar o fracasso comercial, pois as massas estão a milhas e milhas afastadas desse estilo.

Hoje, o terceiro maior canal de música no Youtube do mundo é de funk. O gênero musical que mais gera consumo —falando de shows, produtos e ramificações — é o sertanejo.

Além disso, a atual geração de jovens é a que encara lacração como virtude e está mais preocupada em alimentar a sanha ideológica. Assim, a apreciação musical na maioria das vezes nem entra em cena. O que vale é levantar bandeira e dançar ao som da histeria.

Um grande produto como o RiR é feito apenas com um trabalho bem elaborado de marketing; caso contrário não estaria tanto tempo se repetindo e gerando rios de faturamento. Por isso a abertura a novos públicos.

Os mais “tradicionais” podem murmurar em nome de uma falsa nostalgia: “Poxa, lembra quando só tinha rock?”. Não, não tinha. Nunca teve (lembra do Carlinhos Brown?). A única diferença é que ficou menos rock ao longo dos anos.

A ideia do evento sempre foi fazer dinheiro. Daí vem a explicação de tentar agradar ao maior número possível de pagantes. Ou seja, não adianta xingar na rede porque teve Pablo Vittar e não Rolling Stones.

Dito isso, vamos um detalhe que não pode escapar: é bastante curioso (e cômico) ver juvenil aplaudindo lacração socialista no palco de artista que recebeu cachê milionário; o juvenil que odeia empresário, mas pagou R$ 525 no ingresso e R$ 33 em esfiha + chopp na arena.

O Rock in Rio como fruto do capitalismo é um indiscutível sucesso. O sucesso é tanto que agrada até quem tem ódio mortal do capital.

Um prêmio ao cara do marketing!