Por um breve passeio pela história do rock, nos deparamos com a informação de que membros dos Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones e Black Sabath flertaram com doutrina ocultista e tinham como influência o famoso Aleister Crowley, ocultista britânico membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Crowley despertou a curiosidade de músicos e artistas, acima de tudo, por sua doutrina libertária da Thelema, que o encaixava mais como um anticristão.

Queiram ou não, Aleister Crowley teve uma influência forte na contracultura dos anos 1960 e 1970, passando por nomes importantes da música, principalmente do rock. Isso é um fato.

O metal se vale muito da temática ocultista e anticristã. Muitas bandas, no entanto, só usam o visual macabro e a temática trevosa por mero marketing. Mais vale para eles conquistar o mercado.

Fazem pose de satanistas porque isso vende (confira a biografia de Gene Simmons do Kiss). Mas não é raro ver artistas dessa vertente levando uma vida comum em família longe dos personagens do palco.

O rock também tem seu lado depressivo com letras de cunho extremamente melancólico e autodestruidor. Esse é outro fato. Kurt Cobain é um exemplo desse padrão fatídico, modelo trágico que atrai muitos adeptos.

Sexo sem controle, drogas deliberadas, distorção humana, quebra de padrão, subversão… Suicídio, overdose, Aids… Tudo isso vem como consequência desse estilo de vida libertino, adotado com a ilusão de real liberdade.

Daria para ficar horas citando os preceitos negativos do rock. Mas o foco aqui não é esse. O objetivo é falar do lado bom e saudável do estilo que alguns não veem.

Quem generaliza as bandas de rock, dizendo que todas são do capeta, geralmente costuma ter pouco ou nenhum conhecimento musical e histórico sobre música. Nunca leu nada mais profundo e acha que sabe o que diz.

Essa ideia muito difundida de que o diabo é o pai do rock está mais para lenda urbana. O diabo, por tradição, é, no máximo, o pai da mentira. E crer numa coisa tão sem fundamento é mais danoso que bater cabeça numa rodinha punk.

Ao dizer que todas as bandas são ruins, e do capeta, ignora-se que existem bandas como Rush, por exemplo. Eu ouvi a discografia toda do Rush de cabo a rabo umas 1000 vezes ao longo da vida. Não encontrei nada que me mandasse matar minha mãe ou dar um tiro na minha própria cabeça.

Encontrei, no entanto, entre os arranjos perfeitos e complexos dignos de grandes concertos, pérolas como Tom Sawyer, inspirada no personagem de Mark Twain. Conheci os livros de Twain após ouvir Rush. (Rock progressivo é música de nerd e costuma dar muitas boas referências culturais e literárias).

O rock também tem bandas como Lynyrd Skynyrd, talvez a “mais conservadora” das bandas, que exalta pátria, propriedade privada, Deus e família. Ela tem canções como Simple Man, que expõe um diálogo entre mãe e filho. O conselho é que o filho seja um homem simples e que rejeite a luxúria (essa música fala ao meu coração).

E o que falar de trios como ZZ Top, que até homenageia Jesus em suas canções? “Jesus acabou de deixar Chicago e está rumando para New Orleans. Você pode não vê-lo pessoalmente, mas ele vai ver você do mesmo jeito.”

Poderia citar dezenas de bandas que expressam coisas boas e nunca sequer citaram um palavrão em suas canções. Poderia falar dos artistas de blues, que flertavam com o gospel, estilo de origem semelhante: escravos tristes, mas esperançosos, e com fé. E se você não gosta de rock com letra, poderia falar do virtuosismo de músicos instrumentais.

No entanto, resumo o post dizendo que rock é um estilo muito abrangente. Não é possível definir toda uma tradição musical de 70 anos por meia dúzia de bandas que cheirava pó, mordia frango vivo no palco, xingava Jesus e cuspia sangue.

Nem todo cantor de rock é um libertário iludido como John Lennon. Nem todo roqueiro é cabeludo trevoso que toma vinho no cemitério e faz gutural pensando no demo. Alguns são até capazes de cantar sobre o amor divino.

É bom olhar os fatos e parar de acreditar em lenda urbana.