Eu tinha o quê? Uns 12 ou 13 anos. Naquela época, estava aprendendo a tocar bateria, o instrumento que sou apaixonado desde criança.

Li numa revista especializada uma matéria sobre um cara chamado Neil e sua banda de rock, com quase 30 anos de estrada.

Neil Peart não é o indivíduo que podemos chamar de cara comum. O canadense, baterista do Rush, é considerado por muitos, inclusive eu, o melhor baterista de todos os tempos.

Em suas performances musicais, consegue combinar velocidade espantosa, técnica proeminente e uma criatividade única.

Tem o costume de fazer solos experimentais durante os concertos, abordando neles sua história pessoal e da bateria mundial. Elementos de rock, jazz, percussão latina e africana são facilmente reconhecíveis.

Por conta dessas e outras coisas, Neil influenciou gerações inteiras de bateristas e obteve a reverência de grandes nomes do jazz e da música contemporânea, além de ganhar prêmios mundiais e até receber honrarias políticas em seu país.

O que me faz admirar Neil, além dessa grandiosa contribuição à música, é o fato de ser escritor. Aliás, um escritor prolífico que produziu excelentes textos e livros sobre viagens e outros temas.

Como letrista principal de sua banda, Peart aborda temas universais como ficção científica, fantasia e filosofia, assim como ideias de liberdade e humanismo ─ muitas dessas ideias que influenciaram a mim como pessoa e profissional.

O leitor deve estar se perguntando:

“Por que estou escrevendo sobre ele?”, “O que isso me interessa?”, “O que um cara como Neil pode me ensinar?”

Calma, a resposta vem agora…

Ter boas influências é fundamental para a vida, meu caro!

Por quê? Porque seguindo e se inspirando em pessoas grandiosas você acaba desenvolvendo um compromisso genuíno consigo mesmo, fazendo ─ muitas vezes inconscientemente ─ que suas habilidades pessoais e profissionais melhorem.

Quantas vezes me tranquei no quarto por horas para tentar chegar a um nível técnico que me permitisse tocar como Neil. Isso acabou desenvolvendo em mim a disciplina pessoal, que me é útil até hoje, se estendendo ao meu trabalho como escritor.

Sabemos que nenhuma pessoa é igual a outra. Cada um possui características biológicas, comportamentos, maneira de pensar e agir únicos ─ isso é o que nos faz diferentes, além de estipular o nosso papel na sociedade em que estamos inseridos.

Mas muito do que nós somos, independentemente de fatores genéticos, vem do contato que temos com o meio em que vivemos e das pessoas que nos influenciam. Primeiro, pessoas do nosso ciclo familiar, depois do mundo externo.

Hoje é o dia do rock e, como tradição, quem é ligado ao som comemora. Muita gente conhece o rock como um estilo musical agressivo e histérico que exalta sexo e drogas, e que funciona como abertura para a decadência e o culto à ignorância. Mas foi no rock que o Neil Peart apresentou sua arte a nós.

Eu, com 12 ou 13 anos ─ neste mundo que está cada vez mais materialista e nos tornando cada vez mais passivos ─ passei a buscar na arte a alternativa para sair da rotina. Saí ao encontro da beleza e da fantasia, e encontrei tudo isso no trabalho de Neil.

O ícone hoje está velhinho, com 65 anos, e teve que se aposentar porque seu corpo não acompanha mais a mente. E este é outro exemplo para mim. Eu não morri com 27 anos, como muitos roqueiros, não definhei por causa de drogas e sexo, não me envolvi em escândalos públicos e nem fui preso…

Eu tive a influência de caras como Neil, que elevou sua arte ao mais alto nível e por isso será reconhecido até o fim de sua vida. E depois também.

Ainda garoto eu só quis imitá-lo. Desejei criar um trabalho extraordinário e ter uma vida longa.

Nossa vivência, crenças e a forma como agimos têm por base a cultura. A cultura influencia quem somos e como lidamos com os outros. Somos direta ou indiretamente influenciados pelos costumes, e por mais que você negue, artistas também exercem influência sobre nós.

Anos atrás todo mundo queria ser hippie. Em uma outra época, todos eram “beatlemaníacos”. Depois, se adotou cabelo com permanente, calças de couro e ainda se tentava cantar igual ao Bon Jovi.

Hoje, com o rock em baixa, tem o sertanejo universitário, o Luan Santana e o Gusttavo Lima; tem também o pop americano da Lady gaga e da Beyoncé; e o que dizer de artistas de gosto duvidoso como Pabllo Vittar e outras figuras “influentes”?

Enquanto os jovens de agora vão seguindo a moda de suas épocas, vou mantendo minhas velhas influências…

Ainda quero fazer minha arte, criar um trabalho grandioso em algum nível, espalhar minhas ideias; também desejo cuidar de uma família, ter uma casa confortável e poder viajar de moto sempre que eu quiser ─ para experimentar se meus conceitos de liberdade estão de acordo com a realidade.

Seja você escritor ou profissional de marketing como eu, seja músico, palestrante, sapateiro, padeiro, vendedor, empreendedor, maquiador, professor, cozinheiro, ou qualquer outro tipo, tenha boas influências.

Imite quem merece ser imitado!