Vários filmes de músicos que já foram realizados sempre o personagem principal se estabelece na figura do artista e de seu instrumento.

Filmes como Bird, Por volta da meia noite, e diversos outros nos levam a ter uma visão perfeita da interação entre artista e instrumento.

Em Whiplash é diferente, pois nele é incluído um terceiro elemento principal que é o professor de um conservatório de música, com métodos impactantes de ensino aos alunos.

Isso causa um impacto bastante significativo em quem assiste ao filme, pois acabamos por conhecer um perfil muito diverso de um padrão estabelecido em nossas mentes sobre uma fórmula de ensino.

Além desse aspecto, este filmaço, principalmente para os fãs de bateria, tem como foco este instrumento fundamental em qualquer grupo musical, pois é na bateria que o personagem principal do filme se relaciona e comprova que o amor, a determinação, o seu empenho e o desafio em ser o melhor, fazem a diferença.

“Whiplash”, que em português recebeu o complemento no título de “Em busca da perfeição”, teve direção de Damien Chazelle, sendo indicado a cinco prêmios no Oscar, incluindo Melhor Filme.

É sobre esse filme de baterista, por fim, que vamos abordar neste artigo.

História deste filme de baterista

O filme de baterista se passa em Nova Iorque, no melhor conservatório de música dos Estados Unidos.

Lá, dois personagens se encontram e vão travar o maior desafio pessoal de superação para conquistar seus espaços dentro da música, um jovem estudante de bateria, que tem por objetivo ser o maior da história do jazz, e um professor com métodos de ensino bastante inflexíveis e duros.

Com execuções das músicas Caravan e Whiplash, os alunos têm de se aprimorar para chegarem à perfeição imposta pelo professor e poderem assim assumir como músicos principais do grupo.

Até aqui parece um filme como tantos outros, mas não é. Os métodos extremos de assédio, os desafios cruéis e muitas vezes a severidade do professor fazem com que a tensão, presente desde o primeiro ensaio do grupo, demonstre que a história pode ter desdobramentos inimagináveis.

E é aí que o filme toma um caminho intenso, envolvente e explosivo, passando-nos toda a atmosfera tensa do ensino e aprendizado de forma visceral para ambos.

Por isso, neste filme, Whiplash, além de ser o nome de uma das músicas que é executada pelo grupo, ele também pode ser considerado no sentido de sua tradução literal, chicotada, pois é isso mesmo que você acaba percebendo ao assistir, uma chicotada em todo o padrão de relacionamento na arte de ensinar, aprender e do relacionamento humano.

Dominando o instrumento e o conhecimento da música

Numa parte do filme a partitura da música é extraviada e o baterista principal da banda se revolta por não saber tocar sem ela, nesse momento o seu substituto se apresenta e demonstra que sabe executar aquela música sem necessidade de lê-la, pois já a conhece profundamente.

Ele a toca de forma correta e nesse momento é ele quem assume a função de baterista principal da banda.

Esta passagem no filme se apresenta como uma lição de que tanto na música, como em qualquer fato da vida, ter conhecimento e estudo sobre determinada atividade a que você se dedica é fundamental para conseguir agarrar as oportunidades, mesmo as inesperadas, e conseguir ocupar o seu lugar.

Outro fator importante que o filme destaca todo o tempo é o domínio do artista sobre seu instrumento e isso somente se consegue através de muitas horas de dedicação e trabalho, pois assim, no caso do filme, a bateria passa a ser uma extensão de seu corpo e a música é executada quase de forma visceral.

Desafiando o músico

A situação mais constante do filme é a pressão quase desumana do professor sobre os alunos, sendo uma estratégia convicta dele para despertar algum gênio musical naquele ambiente.

Ao desafiar de forma intensa ele irá fazer com que o aluno se supere até chegar à perfeição na execução da obra.

Esse aspecto tem duas abordagens no filme; o primeiro é de que o desafio é aceito e faz com que o aluno chegue ao seu limite físico e emocional. O segundo, muito mais triste, é fazer com que a pressão exerça um fenômeno de limitação humana, destruindo aquela pessoa.

A postura do professor tem uma explicação pessoal e que é apresentada durante e na parte final; utilizando um exemplo ocorrido com Charlie Parker no início de sua carreira, onde ele desejava que aqueles músicos que aprendiam com ele fossem além de seus limites e daquilo que se esperava deles, pois só assim novos “Charlie Parker” poderiam surgir.

Vencendo a jornada pelo amor a música

filme de baterista

O filme de baterista demonstra de forma intensa que sem amor pela música, assim como em nada na vida, tampouco sem determinação para vencer, ninguém consegue estabelecer o sucesso.

A grande persistência, treinamentos ao extremo e conhecimento daquilo a que você se dedica, faz com que você atinja seus objetivos e muitas vezes até se destaque. Agora a genialidade está muito acima disso, e sabemos que é para poucos!

Prêmios

Whiplash concorreu a várias premiações, sendo um filme de baterista reconhecido nos principais festivais no mundo.

  • Em Sundance venceu os prêmios de audiência e do júri, ambos na categoria drama.
  • No Globo de Ouro venceu com o prêmio de melhor ator coadjuvante para J.K. Simmons.
  • No prêmio Bafta venceu para melhor ator coadjuvante com J.K. Simmons e montagem.
  • No Oscar venceu também em ambas as categorias citadas acima, e ainda como a melhor mixagem de som, sendo indicado nesta premiação também para o melhor filme em 2014.

Mesmo se não tivesse vencido nenhum prêmio, este filme já mereceria um destaque e uma recomendação obrigatória para ser visto pelos os amantes da arte de tocar bateria e também por ser um filme inesquecível em seus diálogos e propostas desafiadoras de ensino agressivo.

Veja este filme de baterista

Todas essas situações descritas nos levam a afirmar que este filme é sensacional por abordar relações humanas intensas e as formas de estratégias de aprimoramento quanto à execução da arte que nos parecem desumanas e desproporcionais, mas que se apresentam no mundo real com muito mais frequência que imaginamos.

E é por isso que ele deve ser visto por qualquer pessoa que se interesse em tocar um instrumento e deseja se destacar em sua área, servindo inclusive como uma referência para um questionamento sobre os métodos de ensino e as propostas de explorar e encontrar a genialidade na execução musical e na superação de nossas inseguranças e limitações.

Entre de cabeça nessa chicotada cinematográfica!