Saudações, amantes do rock e dos tambores!

Decidi embarcar numa experiência sonora e animei levar você comigo…

Inventei de ouvir e analisar um álbum do Rush por dia. 🙂

Vou usar minha conta Premium do Spotify para isso — Viva o Spotify e quem subiu todos os discos da banda lá — e compartilhar meus comentários neste post.

Para complementar, vou incluir foto e vídeo selecionados para cada disco para que você embarque na sonoridade e na história da banda.

Meu objetivo é que este artigo se transforme num post épico sobre a Discografia Rush.

A motivação para escrever este post dispensa explicações, já que o Rush é uma das bandas mais veneradas do mundo do rock.

E o que dizer do baterista Neil Peart, um dos maiores gênios das baquetas de todos os tempos?

Enfim, sem rodeios e delongas, acompanhe esta experiência e curta o power trio canadense!

Dia #1: Rush (1974)

discografia rush

Foto selecionada: arte de capa do disco #1 da banda

Rush é o álbum de estreia da banda.

Lançado em março de 1974, o disco foi elaborado a partir de grandes influências do hard rock e do blues. Nota-se inspiração de grupos como Led Zeppelin e The Who.

Comecei a ouvir este disco novamente num domingo à noite, enquanto lavava louça, fazia janta, me alimentava e tomava banho. As duas últimas músicas foram ouvidas no fone, já na hora de dormir.

O baterista do disco era John Rutsey.

Apesar de não ser o nosso ídolo Neil Peart o dono das baquetas, particularmente curto a sonoridade da bateria desse álbum.

Os grooves são “porrada” do começo ao fim, energia pura que soma ao som cru da guitarra de Alex Lifeson e às linhas de baixo pesadas de Geddy Lee.

O vocal é bem dinâmico e já aponta o estilo único de cantar de Geddy, que se consolidaria nos próximos anos em álbuns posteriores.

Destaque para a canção “Working Man”, que acabou se tornando um clássico da banda.

Dia #2: Fly By Night (1975)

Discografia Rush

Foto selecionada: Rush em 1975, já com Neil Peart na bateria.

Este segundo álbum da banda foi lançado em 15 de Fevereiro de 1975.

O disco marca a entrada de Neil Peart como baterista e letrista da banda.

É a partir deste álbum que a banda muda a sonoridade de hard rock/blues raiz, e assume o rock progressivo.

A presença de compassos compostos, conversões peculiares e sonoridades experimentais estão presentes desde as primeiras faixas do disco.

Nota-se, desde cara, a diferença de pegada na bateria.

Elementos rítmicos aplicados nos pratos e tambores complementam criativamente os arranjos das músicas.

Neil Peart mostra a que veio.

Ouvi este álbum numa segunda-feira ensolarada, pela manhã, enquanto iniciava a rotina de trabalho tomando um café forte sem açúcar.

Belo começo de dia, não concorda?

O destaque de canção vai para “Fly By Night”, outro clássico do trio.

Dia #3: Caress Of Steel (1975)

Discografia Rush

Foto em destaque: Capa do álbum, que passa um ar religioso.

Terça-feira, fim de dia, ainda no trabalho, escrevendo, coloco “Carees of Steel” para rodar.

Inicialmente, a impressão que tenho, é que o disco dá continuidade à proposta do álbum anterior −aliás, este foi lançado no mesmo ano, 1975, no mês em setembro − mas ouvindo atentamente, vemos uma notória mudança.

Na época, o que mais chamou atenção neste álbum, foi a primeira música extensa e épica da banda, “The Fountain of Lamneth”, com quase 20 minutos de duração.

Curioso é que quando foi lançado o vinil na época, essa faixa ocupava todo o lado 2 do disco.

Como sou fã de carteirinha, considero cada álbum uma obra prima, mas historicamente, “Caress of Steel” é o trabalho mais injustiçado do Rush.

Mesmo sinalizando todo o direcionamento musical que o grupo seguiria, o trabalho recebeu muito mais críticas do que de fato mereceria, e durante muito tempo, acabou sendo deixado meio que de lado por uma boa parte dos fãs.

Alguns críticos explicam que a “injustiça” se dá ao fato de a banda resolver entrar de cabeça dentro do mundo do progressivo, com arranjos mais complexos, músicas muito mais longas e cheias de contratempos justamente nesse álbum.

As letras também seguiram uma temática típica das músicas características do progressivo. Pela primeira vez víamos uma peça épica num álbum de rock.

Hoje, muitas décadas depois, “Carees of Steel” ainda é uma obra digna de apreciação.

Destaque para “Bastille Day”:

Dia #4: 2112 (1976)

discografia rush

Foto selecionada: A banda vestida com roupas intergaláticas.

Quarto dia, quarto álbum.

O disco 2112, que foi lançado em 1 de abril de 1976, contém a suíte de sete partes composta por Lee e Lifeson. As letras escritas por Neil Peart contam uma história distópica que acontece no ano 2112.

Esta obra é por vezes descrita como um álbum conceitual, apesar de as canções no segundo lado não possuírem relação com a suíte.

Esse é meu disco favorito da primeira fase do Rush, na década de 1970, principalmente por causa da música “2112”.

Uma curiosidade, este álbum aparece no livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” (junto com Moving Pictures).

Em 2006 e 2016, votações de ouvintes da Planet Rock escolheram 2112 como o álbum definitivo do Rush.

Devido ao fracasso comercial do álbum anterior, “Caress of Steel”, a Mercury Records (gravadora do Rush na época) pressionou a banda a não fazer outro álbum conceitual.  No entanto, a banda ignorou os conselhos e manteve seus princípios.

Resultado: o trabalho foi um sucesso!

A Audio-Visual Preservation Trust of Canada, ONG canadense dedicada à promover a preservação da herança audio-visual, patrocinou MasterWorks, que anualmente reconhece doze clássicos canadenses considerados culturalmente significantes das indústrias de filmes, rádio, TV e música. No ano de 2006, 2112 foi um dos álbuns escolhidos para serem preservados.

O vídeo escolhido não poderia ser outro:

Dia #5: A Farewell to Kings (1977)

discografia rush

Foto selecionada: Rush, possivelmente em 1977, na turnê de A Farwell to Kings.

“A Farewell to Kings” foi lançado em setembro de 1977 e dá continuidade ao legado iniciado nos álbuns anteriores.

É um disco formado por 6 faixas apenas: “A Farewell to Kings”, “Xanadu”, “Closer to the Heart”, “Cinderella Man”, “Madrigal” e a primeira parte da peça canção “Cygnus X-1”: “Book I: The Voyage”, com mais de 10 minutos.

Uma informação interessante, é que esta última canção é que ela leva o nome do sistema estelar Cygnus X-1 (abreviado Cyg X-1).

Uma fonte de raio-X galáctica bem conhecida na constelação de cisne, descoberta em 1964 durante um lançamento de foguete.

Embora o enredo dessa canção girar em torno de um mundo de ficção científica, é usada a mitologia grega para explicar um duplo sentido:

“Cygnus X-1” é principalmente sobre a descoberta de dois modos de vida conflitantes, e duas formas muito diferentes nas quais a mente humana pensa (lógica e emoção são separadas em lados separados, ou hemisférios, do cérebro).

O ponto de equilíbrio (Cygnus) permite que a mente pense com analógica e emoção ao mesmo tempo, permitindo que as pessoas sejam analíticas, mas não emotivas.

Além dessa peça maravilhosa, destaco também “Closer to the Heart”, a primeira música do Rush não composta por um não-membro: Peter Talbot, amigo de Neil Peart.

Esta canção foi single do Natal canadense de 1977 e foi o primeiro single de Rush no Reino Unido, alcançando o número 36 no UK Singles Chart em fevereiro de 1978.

“Closer to the Heart” também foi uma das cinco músicas do Rush introduzidas no “Canadian Songwriters Hall da fama”, em 28 de março de 2010.

Dia #6: Hemisferes (1978)

Discografia Rush

Foto selecionada: Rush na época de Hemisferes

Hemisferes foi lançado em 28 de outubro de 1978.

Neste disco, a banda continua a peça “Cygnus X-1″, lançando a “Book II Hemispheres”, com 18:05 de duração.

Ao longo do disco, faixas longas continuam sendo abordadas.

Gosto bastante da canção “The Trees”, que faz crítica a ideologias controversas voltadas ao igualitarismo.

Peart foi certeiro na letra.

Destaque para a canção “La Villa Strangiato”:

Dia #7: Permanent Waves

Sétimo dia, 8:30 da manhã.

A primeira coisa que faço após acordar e me ajeitar é colocar “Permanent Waves”, de 1980, para tocar no celular. Outro disco de grande relevância na Discografia Rush.

Discografia Rush

Rush, possivelmente, em 1980.

“The Spirit of Radio” abre a sequência. Gosto bastante da sonoridade dessa música e da mensagem que ela passa.

O nome dessa canção foi inspirado no slogan da emissora de rádio de Toronto, CFNY-FM. No ano de lançamento do álbum, esta música foi significativa na crescente popularidade da banda.

“Freewill” vem em seguida. Essa foi uma das músicas do Rush que tirei na bateria lá pelos idos de 2012/2013. Acho o arranjo dessa canção bem interessante, cru e ao mesmo tempo moderno; simples e ao mesmo tempo complexo.

Alguns críticos consideram que a “Segunda Era Rush” começa em 1981, com “Moving Pictures”, trazendo os sintetizadores para frente e deixando a guitarra em segundo plano.

Eu já tenho a percepção que a “Era” é iniciada com “Permanent Waves”, apesar de os sintetizadores serem apenas complementares nos arranjos. Não sei, me parece relevante considerar que a segunda fase se inicia junto à esta virada de década.

Gosto dos climas diferentes que as demais canções do disco “Jacob’s Ladder”, “Entre Nous”, “Different Strings” e “Natural Science” passam.

Apesar de nem ser nascido em 1980, sempre que ouço este disco, pareço ser transportado para a época. Rola um tipo de nostalgia sobre algo que não vivi.

Para este disco, destaco um vídeo da primeira canção, tocado em 2008 pela banda:

Dia #8: Moving Pictures

Chegamos finalmente ao clássico “Moving Pictures”, de 1981.

Este é o álbum mais aclamado do Rush por parte de críticos e fãs.

Particularmente, tenho uma ligação emocional com este disco. Esse talvez tenha sido o trabalho que me fez ficar fã da banda, apesar de tê-lo ouvido muitos anos depois.

A canção “Tom Sawyer”, uma das mais conhecidas do grupo, refere-se ao personagem de mesmo nome dos livros de Mark Twain. Esta música foi tema do seriado MacGyver, intitulado “Profissão: Perigo”, no Brasil.

A música acabou se tornando um símbolo da cultura pop mundial, sendo citada, tocada e parodiada muitas e muitas vezes.

Discografia Rush

Imagem selecionada: Rush sendo homenageado em Family Guy

“Tom Sawyer” chegou a 25° posição na parada de singles do Reino Unido em outubro de 1981, e nos Estados Unidos alcançou a posição #44 na Billboard Hot 100 e em 8° no gráfico Billboard Mainstream Rock.

Em 2009, foi nomeada a 19° maior canção de hard rock de todos os tempos pela VH1. “Tom Sawyer” foi uma das cinco canções do Rush empossadas ​​no Canadian Songwriters Hall of Fame, em 28 de março de 2010.

Até o momento, “Moving Pictures” é o álbum mais vendido da banda, chegando a mais de 4 milhões de unidades vendidas somente nos Estados Unidos em 1995, recebendo o Disco de Platina Quádruplo.

Neste disco, percebemos uma crescente nos teclados.

Claro, o destaque vai para ela…

Dia #9: Signals

Discografia Rush

Foto selecionada: aleatória

O nono álbum de estúdio da banda foi lançado em 25 de Setembro de 1982. Este disco definitivamente marca entrada de sintetizadores como primeiro plano nas canções.

Estilisticamente, o álbum é uma continuação da incursão orientada para a tecnologia, através do aumento do uso de instrumentação eletrônica, sequenciadores e violino elétrico.

O álbum alcançou o 10º lugar nas paradas de álbuns da Billboard e foi certificado com platina (um milhão de cópias vendidas) pela RIAA em novembro de 1982.

A faixa de abertura é “Subdivisions”, que se tornou um dos principais hits do Rush.

AllMusic elogiou o álbum pela exploração do sintetizador e introduzindo temas mais contemporâneos nas letras. Em Signals, nas letras das músicas, Peart trata de fases da vida.

A Ultimate Classic Rock colocou o disco em sétimo lugar em sua lista de “Top 10 Rush Albums”, enquanto Stereogum colocou o álbum em terceiro lugar (atrás de Moving Pictures e 2112) em sua lista de “Rush Albums From Worst to Best”.

Alguns consideram este o álbum mais audacioso da Discografia Rush.

No documentário Rush: Beyond the Lighted Stage, de 2010, Trent Reznor citou Signals como uma influência para incorporar teclados ao hard rock.

O jornalista de música canadense Martin Popoff afirmou que Signals era seu álbum favorito do Rush por causa da “produção cremosa”.

Destaque para “Subdivisions”:

Dia #10: Grace Under Pressure

Chegamos a 12 e abril de 1984, ano do lançamento de Grace Under Pressure o décimo álbum de estúdio do Rush.

Como a maioria dos discos da banda, Grace Under Pressure foi premiado, alcançando a 10ª posição na Billboard 200 e ganhando disco de platina nos Estados Unidos após seu lançamento inicial.

A prensagem de vinil original também apresentava uma foto mostrando um ovo preso em uma presilha.

discografia Rush

A arte da capa foi pintada por Hugh Syme, um colaborador do Rush desde 1975, o mesmo que fez a capa de Caress of Steel.

Na contracapa, há um retrato da banda do fotógrafo Yousuf Karsh.

Em uma entrevista de 1984, Alex Lifeson uma vez descreveu Grace Under Pressure como o “mais satisfatório de todos os nossos registros”. Lifeson também afirmou que foi um dos álbuns mais difíceis da Discografia Rush.

Musicalmente, o álbum marca mais um patamar na escada de desenvolvimento no som de Rush. Enquanto continuaram apostando muito nos sintetizadores como nos álbuns anteriores, a banda também experimentou incorpora elementos de ska e reggae em algumas das músicas.

Reparei que as guitarras desempenharam um papel maior do que em Signals. 🙂

Minha música preferida do disco? Essa…

Dia #11: Power Windows

Chegamos a 1985, com Power Windows, o décimo primeiro álbum de estúdio da banda.

discografia Rush

Capa do disco. Do cacete!

Gravado no The Manor e no Sarm East Studios, na Inglaterra, e no AIR Studios, em Montserrat, foi o primeiro álbum do Rush produzido por Peter Collins, o primeiro gravado digitalmente e o primeiro a ser lançado diretamente em CD.

Em Power Windows o Rush introduziu mais sintetizadores ao som da banda, como vinha fazendo em álbuns anteriores da década de 1980.

Os videoclipes de “The Big Money” e “Mystic Rhythms” receberam uma participação significativa na MTV.

Durante o período em que o álbum foi produzido, a banda estava se expandindo em novas direções a partir de sua base de rock progressivo.

Em 1986, cinco das oito faixas do álbum foram lançadas como singles.

Vídeo selecionado:

Continua…